Há dois meses e meio, eu contei que iria viajar para fazer uma reportagem. Hoje, último dia do ano, vou relembrar essa aventura. Talvez daqui a alguns anos eu me ache ridícula por chamar isso de “aventura”, mas acho que essa é a palavra que melhor descreve minha experiência.
No dia 13 de novembro, às 7h30 de manhã, a turma de focas seguia rumo a Catalão (GO). Cinco horas mais tarde, estávamos largando nossas malas no hotel. Então, é pra valer, pensei. Já havia agendado as entrevistas e apurado o máximo de informações semanas antes. Sentia-me segura, apesar de sentir a ansiedade o tempo todo querendo me atormentar.
Depois do almoço, conferi meu roteiro para a primeira entrevista. Reli (pela milionésima vez) minhas anotações, observando as informações que eu poderia confirmar ou confrontar com a fonte. Verifiquei também meus equipamentos: gravador, câmera fotográfica, canetas e bloquinho. Meus professores frisavam o tempo todo para não confiar só no gravador, pois ele pode falhar a qualquer momento e você nem se dá conta. Fazer anotações durante a entrevista também ajuda quando você for escrever a matéria.
Minha pauta era sobre a situação dos parques e reservas de Catalão. A cidade cresceu muito com a atividade mineradora, só que esse desenvolvimento não parecia incluir o cuidado com o meio ambiente – e foi aí que comecei a pesquisar áreas de preservação, o estado de conservação dos parques, as propostas do governo, etc.
Na tarde do dia 13, entrevistei uma doutoranda em geografia, Magda Valéria, que também é professora. Ela me levou para conhecer parques, nascentes e áreas de preservação, e eu pude constatar como estava a situação desses locais. Essas observações seriam úteis para o dia seguinte, quando tinha uma entrevista com o secretário do Meio Ambiente. Quis saber também a opinião da Magda, as expectativas dela, pois talvez eu pudesse incluir isso na minha reportagem.
Quando voltei para o hotel, no fim da tarde, encontrei meus professores e relatei como foi a primeira entrevista. Conversamos sobre o enfoque da matéria, as informações conseguidas com a Magda, a hierarquia do conteúdo da reportagem. Desde o primeiro momento, o jornalista tem que pensar no produto final, e o editor está sempre ajudando.
No sábado, 14, fui para a entrevista com o secretário do Meio Ambiente, marcada para 10h da manhã. No encontro, ele me mostrou as prioridades dele para a pasta, como eles trabalhavam, como o licenciamento ambiental era feito. Quando terminei, assim que saí do prédio, resolvi conferir o gravador. Qual não foi a minha surpresa quando vi que ele não havia gravado NADA! Nunca foi tão grata por ouvir e acreditar nos professores. Minhas anotações me salvaram!
Voltei para o hotel para encontrar as outras duas repórteres de meio ambiente, que haviam entrevistado o presidente de uma associação ambiental, para trocarmos as informações apuradas. Almoçamos e depois saímos juntas para fazer as fotos que iriam ilustrar nossas matérias. Voltamos por volta das 14h, e passamos o resto da tarde descansando no saguão do hotel, curtindo a máquina de café (tomei 3 xícaras de chocolate quente) e conversando com os focas que iam chegando. Às 18h, todo mundo estava pronto pra voltar pra Brasília.
No domingo, só descansei. Só na segunda comecei a mexer com tudo o que tinha apurado: informações que tinha antes de viajar, as entrevistas gravadas, as anotações que fiz em Catalão, as informações que aproveitei de outros repórteres. Aos poucos fui montando minha reportagem de dez mil caracteres. É, o tamanho também me assustou no início, mas as ideias vão fluindo na hora em que você está escrevendo… encaixa a frase do secretário aqui, faz um contraponto com a declaração da doutoranda, agora coloca a descrição do local. E quando você termina, é incrível como tudo parece estar no seu devido lugar.
Entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro, realizamos o fechamento da revista. Fomos um pouco atrapalhados pela greve na universidade, e muito atrapalhados pelo sistema de postagem, mas deu tudo certo no final. Nesse período, fizemos os ajustes finais nas matérias: revisamos os textos, inserimos as fotografias, acrescentamos hiperlinks e boxes.
Vocês podem conferir aqui a minha reportagem, intitulada “Mobilização em defesa do meio ambiente“. Ela representa não só um trabalho jornalístico que realizei, mas um acontecimento marcante para mim em 2009. Uma experiência completa, pessoal e profissional. É por isso que resolvi deixá-la registrada aqui no blog no último dia do ano.
Obrigada por lerem até aqui, sei que esse texto está bem longo – e olha que eu tentei não ser muito detalhista, hehe! Esse relato é uma parte de mim, uma parte do que sou e do que faço. A reportagem é uma amostra do meu potencial, que irei continuar desenvolvendo e aprimorando nos próximos dois anos de graduação (e depois também, rs). Afinal de contas, qual foca não teria orgulho de seu primeiro trabalho jornalístico? :)
Um beijo no coração de vocês, nos vemos em 2010!
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