Diploma não atesta qualidade

Na última quarta-feira (17), quando o STF julgou inconstitucional a exigência de diploma para exercer o jornalismo, acompanhei pelo Twitter a reação de estudantes, profissionais formados e pessoas que não são da área. A maior parte estava revoltada, soltando comentários do tipo “agora pra ser jornalista só precisa ser alfabetizado” e “estou estudando para meu diploma não valer nada quando eu me formar”.

Eu, como estudante de jornalismo, tenho absoluta certeza que meu diploma não me garante uma vaga no mercado. Sempre tive em mente que preciso dedicar-me intensamente para alcançar o sucesso. No pain, no gain. Exercer o bom jornalismo requer vontade e trabalho duro, embora alguns achem que ser jornalista é ficar sentada atrás de uma bancada. Existe o lado técnico e o lado científico na comunicação: discutem-se novas mídias, formas de apuração e investigação, princípios éticos, o direito e o acesso à informação, etc.

Os ministros do STF usaram argumentos muito pobres no julgamento. Falar que a exigência de diploma fere a liberdade de expressão em pleno século XXI, com a profusão de conteúdos na internet, é, no mínimo, ridículo. Além disso, se seguirmos o raciocínio de defesa da Constituição Federal, não se poderá mais exigir credencial em entrevistas coletivas. Como ficamos?

De minha parte, continuo valorizando minha graduação. Dedico-me aos estudos, aos trabalhos e às atividades de campo. Um pedaço de papel nunca garantiu nada, mesmo quando se dizia que o mercado “exigia” o diploma. O reconhecimento está na qualificação do profissional e na seriedade com que ele encara seu trabalho. Não tenho vergonha alguma de dizer que quero ser jornalista, porque estou confiante no caminho que estou trilhando.

Quanto ao diploma, tenho 2 anos e meio para me preocupar com ele.

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11 comentários sobre “Diploma não atesta qualidade

  1. Tatiana, não há mesmo como garantir que um diploma faça de alguém um bom profissional. A faculdade vai ensinar a amarrar os sapatos, enquanto andar e correr é desafio de cada um.
    Mas pela maneira como você conduz seu blog e esta atenta às novas fronteiras que surgem para o Jornalismo, acho que está no caminho certo.
    Abraços

  2. Eu, como muitas outras pessoas inseridas no mundo da blogosfera, também tive a pretenção de estudar jornalismo, discussão vai, discussão vem, decidi pela área de biológicas (tudo-a-ver, isso também porque eu queria mecatrônica… também) por alguns motivos como, mercado saturado, no caso do jornalismo, e falta de vontade pra encarar um curso tão difícil no caso da mecatrônica. Acho que essa decisão só vem a tornar ainda mais complicada a vida do jornalista (formado, vale ressaltar agora), por diversificar demais a possibilidade de pessoas formadas em áreas completamente diferentes de meter o pitaco onde, pelo menos deveria, ser o espaço do jornalista. Eu, por exemplo, mesmo com interesses na área de jornalismo me formo farmacêutica, tenho meu trabalho como farmacêutica, mas nada me impede de acabar ‘roubando’ o emprego de um jornalista (não que eu vá fazer isso, haha), acho que isso é um pouco frustrante.
    O negócio agora é focar em ter diferenciais, experiência no mercado mesmo dentro da graduação (não sei como é pra jornalismo, mas pra farmácia costuma ser tranquilo), e como o Adriano já disse no comentário acima, creio que você esteja no caminho certo, e espero que você ainda tenha muito sucesso como jornalista.

    (no final eu acabei soando um pouco desconexa, mas acho que deu pra entender)

  3. Eu achei isso um absurdo. Tantas pessoas se dedicando para serem éticas e competentes e agora, qualquer “zé” pode se dizer jornalista. Isso só rende mais sensacionalismo, falta de ética, falta de conteúdo e outros agravantes. Mas, num país onde o presidente é quase um analfabeto, o que poderíamos esperar?
    ;* bee

  4. Sabe, ainda não tinha parado para pensar desta forma e mesmo não sendo estudante de jornalista, critiquei a postura do STF. Mas, agora, lendo sua opinião, acho que não faz diferença.
    É como você mesma disse, exigindo diploma ou não, não é isso que leva uma empresa a contratar alguém.
    Bjitos!

  5. Olá!

    Vi seu comentário no meu blog, vim ler seu texto. Tenho certeza de que você será uma ótima profissional, principalmente porque tem ciência de que um bom jornalista não pode nunca para de estudar.

    Fiquei chateada com as pessoas que acharam que a lei fere essa profissão, enquanto eu acho que é mais um motivo para motivar esses profissionais a estudarem mais, afim de melhorar o nível de jornalismo em nosso país, ao invés de piorá-lo.

    Agora cabe a quem os contrata, saber fazer essa ponderação, não é mesmo?

    Abraços! e boa sorte!

    Vânia

  6. Ah, só mais uma coisa! rs, adorei seu perfil! acho que 50% das coisas são parecidas comigo, por isso vou linkar seu blog =)

    E outra, você já faz parte do Blogblogs? Eu trabalho por lá, e gostaria de ver conteúdo como o seu nos destaques.

    Bjão!

  7. Diploma não é mais certificado de qualidade e competencia. Não depois que abriu uma faculdade em cada esquina… Não é mais porque não precisa mais de diploma para ser jornalista que qualquer pessoa será contratada pelas agências…. Habilidade em uma área se comquista com dedicação e gosto pelo que se faz, não com um pedaço de papel.

    Beijos!

  8. …não sei exatamente o que penso sobre esse assunto.
    não vou ser jornalista nem nada, então nunca pensei de verdade no assunto.

    mas me parece que, para ser jornalista, você precisa ter uma certa base de conhecimentos, e não apenas escrever bem e sair à cata de notícias… ou não?
    me parece importante aprender o que é jornalismo na teoria, estudar ética do jornalismo, etc., etc.
    e isso demora, não é? e a maneira mais fácil de conseguir essa coisas não seria, tipo assim.. prestar uma faculdade?

    pra mim, alguém que escreve ou pesquisa notícias pra um jornal, revista etc. sem diploma, não é um jornalista… é só uma pessoa que escreve ou pesquisa notícias pra um jornal, revista etc.

    me pergunto se essa coisa de abolir o diploma obrigatório para os jornalistas abre um precendente pra que deixem de exigir diploma pra outras profissões.. heheheh.

  9. Nossa Tati, nem tinha visitado ainda teu blog novo! =) Agora de férias fica mais fácil visitar meus visitantes! hehe

    Bom, esse assunto do diploma é beeem complicado pra mim. Me formei numa profissão que não tem regulamentação, e mesmo assim jamais questionei o quanto era importante cursar a faculdade. Depois de formada, percebi como funcionam realmente as coisas, uma vez que tive que responder ao meu pai se não gostaria de trabalhar numa gráfica. =/ Ou seja, tudo que estudei, muitas vezes, não é levado em conta por uma empresa. O que eu preciso é ter “vivido a realidade do mercado”, e não lido sobre ela. Eu acho que isso é péssimo, mas tudo bem.

    Depois, entrei no Jornalismo achando que bastaria escrever bem e gostar. Se tem uma coisa que eu sempre me “gabei” de saber é escrever bem. Mas isso não é o suficiente pra ser jornalista, e agora estou prestes a trancar a segunda faculdade. Por isso, por mais que eu ache que algumas discussões sobre o assunto são muito exageradas e trágicas (isso pelos olhos de quem tem um diploma que “não precisa”), também tenho plena consciência de que para ser jornalista tem que estudar, conhecer o passado de cada editoria, se especializar, saber as técnicas que exigem a escrita jornalística e muito mais. Não acho que porque existem maus jornalistas formados, o diploma tem que ser abolido. Isso é generalizar e, pior, se deixar vencer pelo mau jornalismo. Pelo menos na minha opinião, só piora e vai prejudicar ainda mais a imagem do profissional de jornalismo. O que existe mesmo são pessoas de mau caráter, e isso se reflete mais no jornalismo porque toda a sociedade é afetada por ele, por formar opiniões, blá blá blá. Mas acontece em todas as profissões, é fato.

    E eu já li que estão repensando o diploma de direito e o de RP. Imagina que horror se os 92% de rejeitados pela OAB de SP se tornarem todos advogados aprovados?

    Beijos!!

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