A “revolução” do sofá

O Twitter é o gancho do momento na mídia. A pauta mais recente foi o “Fora Sarney“, protesto realizado por brasileiros contra a permanência de José Sarney na presidência do Senado. O lado bom: as pessoas mostraram seu descontentamento e pareceram informadas a respeito. Digo “pareceram” porque se existe um assunto que o brasileiro menos entende é política; ele sabe de um ou outro escândalo de corrupção (de preferência algum que já tenha virado piada), no máximo. E a esse desinteresse está relacionado o lado ruim do protesto: as manifestações ficaram só nas tuitadas.

Ainda falta muita atitude da população para fazer valer a sua opinião. A meu ver, o #forasarney poderia ser um protesto contundente, mas acabou caindo na mania tupiniquim de transformar coisa séria em modinha, em babaquice. Por que não ir às ruas? Manifestações organizadas em várias cidades não reuniram nem cem pessoas, mas no Twitter eram milhares de mensagens de repúdio. Cadê essa gente?

Voltando ao Sarney, ele é mais um personagem na história da corrupção no Brasil, tirá-lo da presidência do Senado não garante a transparência das investigações. Não, não estou defendendo o sujeito, o que quero dizer é que o problema é bem maior, envolve vários parlamentares, envolve o funcionamento do próprio Congresso, a quantidade absurda de funcionários, as regalias exorbitantes, a morosidade da atividade legislativa.

O burburinho no Twitter ficou longe de ser uma revolução, mas pode abrir caminho para uma mudança política. Do mesmo modo que milhares de internautas se mobilizaram no #forasarney, eles podem espalhar informações para promover o voto consciente, a escolha responsável no momento das eleições. É preciso incentivar as pessoas a pesquisarem a vida do candidato, suas propostas, a contabilidade de sua campanha eleitoral, seus problemas com o Fisco e/ou com a Justiça, etc. E não ficar só nisso, também é necessário cobrar do candidato as promessas que fez.

É impossível melhorar a situação do Brasil, seja política, seja social, se o eleitor continuar omisso na hora do voto e depois, no acompanhamento do mandato do político eleito. Talvez uma revolução feita do sofá em prol da responsabilidade surta mais efeito do que a propagação da tag da moda.

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4 comentários sobre “A “revolução” do sofá

  1. olá!
    eu sinceramente achei isso uma palhaçada, pq como vc mesma escreveu, não é tirando UM político corrupto q a corrupção no brasil vai acabar… e as pessoas em geral acham q colocar um #forasarney no twitter é suficiente pra tirar alguém do poder ¬¬… pior mesmo foi o marcos mion e/ou o junior lima pedindo pro ASHTON KUTCHER ajudar a tirar do poder ‘nosso senador corrupto’… senti uma vergonha alheia gigantíssima, principalmente depois da resposta q o ashton deu xD
    bjs

  2. O problema do Brasil é exatamente esse. Brasileiro tem mania de rir de tudo, de fazer piada com quem fode ele mesmo. O caso do Sarney não virou nada mais do que uma piada. Nada diferente da piada que virou quando Lula disse que a crise era só uma marolinha. Vê se tem cabimento um pres. da república falar um troço desses… E se olhar nas pesquisas, a popularidade e satisfação do povo para com ele é altíssima.
    :*

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