A falta de educação dos passageiros de avião

Atenção, senhores passageiros do voo 1699 com destino a Brasília e conexões. Informamos que o embarque será iniciado em breve pelo portão de número 4. Pedimos a gentileza de formar duas filas. Na fila da esquerda, passageiros das poltronas de 16 a 32; à direita, passageiros dos assentos de 1 a 15.

Seria um embarque tranquilo e organizado (algo raro no Brasil), não fosse a praga do famoso “jeitinho brasileiro“. O nome disso é falta de educação, caso você não saiba. Querer dar uma de esperto/a, começar uma fila em frente ao portão antes de chamarem pro embarque pelo alto-falante, ir pra fila que será chamada primeiro só pra entrar antes, etc. Tudo isso só serve pra duas coisas: mostrar o quanto o seu cérebro é atrofiado pequeno e irritar gente educada.

Passageira do 8C, fiquei à direita e esperei que a fila do 16-32 terminasse para eu entrar no avião. Esperei. Esperei. E… comecei a ficar irritada. Uma senhora ao meu lado comentou: “ué, mas tem gente do lado de cá indo pro lado de lá…”. PORRA, BRASIL, assento marcado pra quê, né? Se era pra isso, por que não formou logo uma fila única?!

Recorrer ao funcionário da empresa aérea só serve pra te tirar definitivamente do sério. Ele não está nem aí pra organização da fila, não se dá ao trabalho de conferir o número do assento no cartão do embarque – duvido muito que eles sequer confiram o nome do passageiro -, imagina então exigir que ele se preocupe em sacanear punir os mal-educados.

Eu sou bem intolerante com gente que tenta fazer os outros de otários. Tá, pra ficar bem claro, sou grossa, estúpida, uma égua. Não sei lidar com situações de falta de respeito escancaradas como essa. Por que a pressa? Tá com caganeira?! Com certeza, não. Medo de overbooking? É o menor dos problemas.

Minha hipótese é a questão de bagageiro. Acredito que há espaço para todos desde que respeitada a norma de peso e medida. Acontece que tem pessoa que viaja com duas, às vezes três bolsas/malas/sacolas, e um compartimento que deveria armazenar a bagagem de três passageiros é tomado pelas tralhas de um só. Outra situação é a mala ser enorme e ocupar espaço demais.

Esse é apenas um pouco da falta de educação do brasileiro. E os celulares ligados durante o voo? E a dificuldade que as pessoas têm de manter a poltrona na posição vertical na decolagem e aterrisagem? E a dificuldade maior ainda de ficar com o cinto afivelado enquanto estiver sentado?  Aí, rola uma turbulência e a pessoa é jogada contra o teto do avião e depois vai querer processar a companhia aérea. Fez por onde, bem feito!

Voltando às filas de embarque, a tal da “preferência” também é teste de nervos pra muita gente. Sempre aparece uma mãe com seu filho pentelho de 7 anos querendo entrar primeiro. Preferência devia ser apenas para gente idosa; deficientes físicos ou pessoas com dificuldade de locomoção; crianças desacompanhadas (que são como cachorro sem coleira, somem rapidinho) e mães com bebês de colo. Criança de 7 anos não é bebê, então, mães, parem de colocar moleque crescido no colo!

Infelizmente, o Brasil está bem longe do aceitável. Faltam infraestrutura e profissionais. Os aeroportos (e as empresas aéreas) não conseguem absorver o aumento de demanda provocado pelo barateamento das passagens. Só que de nada vai adiantar aeroporto novo (ou com reforma eficiente) se os brasileiros continuarem mal-educados, sempre tentando “dar um jeitinho” pra se dar melhor e passar por cima (ou na frente) dos outros. Se não sabe respeitar, não faz checkin.

Obs.: A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), quando ainda era Departamento de Aviação Civil (DAC), publicou a portaria 676/GC-5, de 13 de novembro de 2000, que regulamenta as condições gerais de transporte. Existe uma seção específica sobre bagagem de mão, mas assim como outras normas, sem fiscalização ela não pega.

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7 comentários sobre “A falta de educação dos passageiros de avião

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  2. Bruno

    Esta situação é semelhante aos caixas rápidos do supermercado, onde existe limite de itens. Também semelhante aos engarrafamentos, onde os “espertinhos” querem ir pelo acostamento.
    Estas situações são apenas pequenos exemplos da “natureza” do brasileiro. Em uma rápida viagem a países mais desenvolvidos notamos que o problema não é com o ser humano não, é com o Brasil mesmo… está na natureza do brasileiro se sentir superior ao infringir a lei e/ou o direito dos outros.

    1. É, Bruno! Observação muito pertinente a sua! Infelizmente, não é só nos aeroportos. Pior ainda é que esses espertinhos não tem a mínima vergonha do que fazem.

      Obrigada pela visita e por compartilhar! ;**

  3. Tudo tem que virar fila (e desordem, consequentemente) simplesmente porque as pessoas não sabem respeitar o espaço dos outros. Sou a favor de prioridade para idosos, mães com crianças PEQUENAS de colo, grávidas e deficientes físicos. Mas isso é só um detalhe, porque a margem do desrespeito é muito mais que só com essas pessoas. Da última vez que vim do RJ, de ônibus, tinha 2 moços conversando alto demais. Tudo bem, isso se não fossem 2 horas da manhã. Fora como citado, a bagagem de gente que parece te dizer “se vira aí com o espaçinho que deixei!”. Enfim…

    Sobre o post, então, eu tenho muita vontade de pintar as paredes de alguma cor. Acontece que todos os móveis da minha casa são azuis, todos mesmo, de todos os cômodos. É super complicado achar alguma cor que fique harmoniosa, então acabamos por deixar, enquanto não decidimos, tudo branquinho mesmo. Enquanto isso, vou ajeitando a casa colocando coisas que tenham alguma cor…

    e esse comentário virou um post xD
    beijos!

  4. Eu odeio o “jeitinho brasileiro” e a mania que esse povo desgraçado tem de querer se dar bem em tudo. Eles não enxergam que se fizessem tudo como é pra ser feito, seria melhor pra eles, inclusive. E os funcionários não se preocupam pq mesmo se eles fizerem tudo certo, punindo os sem educação, eles não vão ganhar nada a mais, ou seja, fazendo ou não fazendo, o salário é o mesmo, e tu acha que eles querem passar trabalho de graça? Claro que não.
    Além da vergonha de ser brasileira nessas horas vem aquele sentimento de que o Brasil não tem jeito mais. Povo nojento, mal educado, trambiqueiro e etc, argh ¬¬ Certo que nem todo mundo é assim, mas SEMPRE TEM. SEMPRE. Em todos os lugares, igual barata.
    :*

  5. Carlos

    É muita falta de educação e sinismo mesmo! Querem carregar um elefante no bagageiro e dizendo ser bagagem de mão! E Passei por isso ontem! Ainda esquecem do peso excessivo na aeronave que faz parte da segurança de todos. Sem contar os riscos normais que é enfrentar as condições da natureza a mais de 10 Km de altura. Nunca mais quero viajar de avião a não ser em caso de perigo de vida/morte! Parabéns pela publicação!

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