Por que não compro mais livros da editora Planeta

Era para ser um post sobre O vendedor de armas, do Hugh Laurie, mas fiquei tão horrorizada por ter em mãos um livro com tantos erros ortográficos e problemas de tradução que decidi mudar o foco.

As falhas apareceram logo no primeiro capítulo. Se não me engano, foi a palavra “descente” (correto: decente), repetida algumas vezes em dois ou três parágrafos – todas erradas. Em um dos últimos capítulos, lembro de o personagem falar de “acento” de privada (assento é onde se senta. Acento é o que vai sobre certas letras). Infelizmente, não tive o estalo de ir anotando os erros à medida que avançava a leitura das quase 300 páginas do livro, esses são os que lembrei agora.

Havia ainda o traveller’s cheques. É, tradução mal-feita também fazia parte do pacote. Essa é a única lembrança que tenho de falta de tradução, mas a construção confusa das frases é o que considero o maior problema da tradução do texto. Por várias vezes, tive de reler um trecho devido à falta de clareza. Certas passagens trocavam o “ele” e o “ela”, deixando-me confusa e fazendo com que eu voltasse um pouco para concluir quem afinal era o sujeito. Para quem aprecia a leitura, esse é o tipo de experiência desgastante.

Quando terminei O vendedor de armas, fui direto ao Google ver se eu havia sido “premiada”, se a edição era ruim, ou se o problema era generalizado. Convenhamos, é difícil acreditar que uma editora publique textos ruins do ponto de vista de gramática, tradução e revisão. Eu esperava que tivesse adquirido uma edição ruim, mas qual não foi minha ingrata surpresa ao descobrir que não era bem assim.

Encontrei três registros na internet com a mesma percepção que a minha; pior, bem anteriores à minha constatação. Um comentário é de dezembro de 2011, sobre o livro A princesa de gelo. Outros dois registros estão no site do Reclame Aqui, ambos sobre livros da série Dexter: um feito em setembro de 2012 e outro em janeiro de 2014. Todos mostram também o descaso da editora em corrigir o problema ou pelo menos dar uma satisfação aos leitores/consumidores. No site da livraria Cultura, metade das opiniões de O vendedor de armas contém reclamações sobre tradução e gramática.

Meu livro é de 2010. Eu o adquiri há três anos, pelo menos. Nesse tempo, a editora já poderia ter se consertado – mas não é o que a reclamação de 2014 mostra. Aí você para e pensa: num país em que o povo não tem o hábito de ler, país cujas crianças terminam o ensino fundamental sem conseguir se expressar por escrito ou fazer operações básicas de matemática, você tem uma editora que publica livros com erros gritantes de português. Ou seja, ainda que um indivíduo rompa essa triste e infame barreira cultural brasileira, ele vai se deparar com palavras erradas, e é essa grafia que ele vai assimilar como correta. Afinal de contas, livro é fonte de conhecimento.

É por tudo isso que O vendedor de armas foi o primeiro e último livro da editora Planeta que comprei. Sim, eu o adquiri há alguns anos, mas os problemas persistem. Livros com erros ortográficos e gramaticais são um desserviço à educação – são como carros que saem da fábrica com problemas no motor, na direção, nas rodas.

 

Obs: o livro do Hugh Laurie é ótimo, como comentei na minha resenha no Skoob. O negócio é ter brios para vencer as páginas tropeçando nos problemas do texto.

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4 comentários sobre “Por que não compro mais livros da editora Planeta

  1. Oi, Tatiana!

    Poxa vida, infelizmente passei por essa experiência também, mas com a Editora Novo Conceito.
    Li todos os livros da autora Lucinda Riley (ótimos, por sinal), todos publicados por essa Editora, e em cada um deles pude notar todos os “escorregões” que você listou.

    Não te dá uma sensação de descuido? Como se o livro fosse feito “nas coxas”? Fiquei muito triste, apesar de não alterar o efeito da história em si.

    Acabei de conhecer seu blog e você acaba de ganhar mais uma leitora!

    Beijos!

    1. Mais do que sensação de descuido, parece omissão mesmo. Não dá pra relevar erros ortográficos em um livro. Outras falhas são até toleráveis, como erros de espaçamento entre palavras, uma ou outra expressão mal traduzida, etc. Chato saber que há outras editoras que não oferecem material com a qualidade devida.
      Obrigada por acompanhar o blog! Um beijo!

  2. caio campos

    Muito boas suas observações, Tatiana. Estava procurando algum lugar fora o Reclame Aqui que apontasse a questão e encontrei seu blog.
    Esse é um problema que espanta pela forma como é encarado pela editora… Me faz sentir quase como o menino do conto da nova roupa do rei.
    Comprei o primeiro livro da série Dexter, li, gostei, mas não me sinto motivado a comprar os outros livros sabendo que estes virão cheio de erro que comprometem e dificultam o entendimento (levando-se em conta que, além da gramatica, ainda existem os erros de tradução e construção de frases, como você apontou).

    1. Oi, Caio. Ainda estão ruins os livros da Planeta? Por causa dessa experiência sofrível, eu realmente até hoje não comprei mais livros dela. Há poucos meses vi que o Caco Barcelos vai lançar um livro sobre o Profissão Repórter por essa editora, confesso que estou com uma baita pulga atrás da orelha de comprá-lo e me arrepender por ver erros e falhas.

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