Greve na UnB = férias

As aulas na Universidade de Brasília (UnB) começaram no dia 8 de março. Os professores entraram em greve no dia 9. Os servidores, no dia 16. Estou há um mês sem aulas. E eu, o que faço da vida? Eu poderia estar fazendo um estágio, estaria aprendendo alguma coisa enquanto meus professores estão em casa coçando em greve, mas, graças a uma resolução estúpida da Faculdade de Comunicação, eu não posso estagiar. Mesmo que eu tenha acertado TODAS as questões da prova do concurso de estágio do STJ e obtido o primeiro lugar, a FAC me tirou a oportunidade de trabalhar no Superior Tribunal de Justiça.

Não vou ficar aqui tecendo (mais) críticas à FAC, esse assunto já me enfureceu o suficiente. Enquanto as aulas não voltam, não quero saber de estudar, vou curtir minhas grevérias! Ficar o dia inteiro de pijamas, preparar salmão para o almoço de domingo, ler deitada na cama ouvindo a chuva cair lá fora, fazer origami em dia de sol, apreciar as coisas simples da vida. Nunca me senti tão bem fazendo nada, nunca me senti tão bem fazendo tudo o que eu queria sem pensar duas vezes. Não lembro quando foi a última vez que vivi sem me preocupar com o amanhã, deve ser por isso que a sensação é tão MARAVILHOSA!

O mais impressionante é que eu não me sinto nem um pouco culpada por não estar estudando. Logo eu, nerd assumida. Na verdade, não é que eu esteja renegando os estudos, só estou dando preferência a alguns assuntos que não serão ensinados nos bancos da FAC/UnB: mídias sociais, tecnologia, marketing político, SEO, Web Analytics. A maioria dos meus professores não conhece a web 2.0, tampouco se interessam em experimentar os recursos que ela oferece.

A-ha! Viu como ainda não perdi minha essência nerd? Podia culpar meus professores jurássicos por não saber desses assuntos, mas o conhecimento está disponível, basta procurar. Existe um mundo de conteúdo na internet, informação não vai faltar. O melhor de tudo é que você pode fazer comentários em artigos, tirar dúvidas via email. Nunca antes na história desse país os especialistas foram tão acessíveis, hehe.

Bem, vou continuar curtindo minhas grevérias. Se você estiver precisando de uma consultoria em comunicação, ou procurando uma personal organizer, cozinheira ou “mocinha da informática”, é só entrar em contato. ;)

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A primeira viagem da foca: a reportagem

Há dois meses e meio, eu contei que iria viajar para fazer uma reportagem. Hoje, último dia do ano, vou relembrar essa aventura. Talvez daqui a alguns anos eu me ache ridícula por chamar isso de “aventura”, mas acho que essa é a palavra que melhor descreve minha experiência.

No dia 13 de novembro, às 7h30 de manhã, a turma de focas seguia rumo a Catalão (GO). Cinco horas mais tarde, estávamos largando nossas malas no hotel. Então, é pra valer, pensei. Já havia agendado as entrevistas e apurado o máximo de informações semanas antes. Sentia-me segura, apesar de sentir a ansiedade o tempo todo querendo me atormentar.

Depois do almoço, conferi meu roteiro para a primeira entrevista. Reli (pela milionésima vez) minhas anotações, observando as informações que eu poderia confirmar ou confrontar com a fonte. Verifiquei também meus equipamentos: gravador, câmera fotográfica, canetas e bloquinho. Meus professores frisavam o tempo todo para não confiar só no gravador, pois ele pode falhar a qualquer momento e você nem se dá conta. Fazer anotações durante a entrevista também ajuda quando você for escrever a matéria.

Minha pauta era sobre a situação dos parques e reservas de Catalão. A cidade cresceu muito com a atividade mineradora, só que esse desenvolvimento não parecia incluir o cuidado com o meio ambiente – e foi aí que comecei a pesquisar áreas de preservação, o estado de conservação dos parques, as propostas do governo, etc.

Na tarde do dia 13, entrevistei uma doutoranda em geografia, Magda Valéria, que também é professora. Ela me levou para conhecer parques, nascentes e áreas de preservação, e eu pude constatar como estava a situação desses locais. Essas observações seriam úteis para o dia seguinte, quando tinha uma entrevista com o secretário do Meio Ambiente. Quis saber também a opinião da Magda, as expectativas dela, pois talvez eu pudesse incluir isso na minha reportagem.

Quando voltei para o hotel, no fim da tarde, encontrei meus professores e relatei como foi a primeira entrevista. Conversamos sobre o enfoque da matéria, as informações conseguidas com a Magda, a hierarquia do conteúdo da reportagem. Desde o primeiro momento, o jornalista tem que pensar no produto final, e o editor está sempre ajudando.

No sábado, 14, fui para a entrevista com o secretário do Meio Ambiente, marcada para 10h da manhã. No encontro, ele me mostrou as prioridades dele para a pasta, como eles trabalhavam, como o licenciamento ambiental era feito. Quando terminei, assim que saí do prédio, resolvi conferir o gravador. Qual não foi a minha surpresa quando vi que ele não havia gravado NADA! Nunca foi tão grata por ouvir e acreditar nos professores. Minhas anotações me salvaram!

Voltei para o hotel para encontrar as outras duas repórteres de meio ambiente, que haviam entrevistado o presidente de uma associação ambiental, para trocarmos as informações apuradas. Almoçamos e depois saímos juntas para fazer as fotos que iriam ilustrar nossas matérias. Voltamos por volta das 14h, e passamos o resto da tarde descansando no saguão do hotel, curtindo a máquina de café (tomei 3 xícaras de chocolate quente) e conversando com os focas que iam chegando. Às 18h, todo mundo estava pronto pra voltar pra Brasília.

No domingo, só descansei. Só na segunda comecei a mexer com tudo o que tinha apurado: informações que tinha antes de viajar, as entrevistas gravadas, as anotações que fiz em Catalão, as informações que aproveitei de outros repórteres. Aos poucos fui montando minha reportagem de dez mil caracteres. É, o tamanho também me assustou no início, mas as ideias vão fluindo na hora em que você está escrevendo… encaixa a frase do secretário aqui, faz um contraponto com a declaração da doutoranda, agora coloca a descrição do local. E quando você termina, é incrível como tudo parece estar no seu devido lugar.

Entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro, realizamos o fechamento da revista. Fomos um pouco atrapalhados pela greve na universidade, e muito atrapalhados pelo sistema de postagem, mas deu tudo certo no final. Nesse período, fizemos os ajustes finais nas matérias: revisamos os textos, inserimos as fotografias, acrescentamos hiperlinks e boxes.

Vocês podem conferir aqui a minha reportagem, intitulada “Mobilização em defesa do meio ambiente“. Ela representa não só um trabalho jornalístico que realizei, mas um acontecimento marcante para mim em 2009. Uma experiência completa, pessoal e profissional. É por isso que resolvi deixá-la registrada aqui no blog no último dia do ano.

Obrigada por lerem até aqui, sei que esse texto está bem longo – e olha que eu tentei não ser muito detalhista, hehe! Esse relato é uma parte de mim, uma parte do que sou e do que faço. A reportagem é uma amostra do meu potencial, que irei continuar desenvolvendo e aprimorando nos próximos dois anos de graduação (e depois também, rs). Afinal de contas, qual foca não teria orgulho de seu primeiro trabalho jornalístico? :)

Um beijo no coração de vocês, nos vemos em 2010!

O primeiro acidente de carro a gente nunca esquece

E se eu não tivesse saído cinco minutos antes do fim da aula?

E se eu fosse pra casa, em vez de ir encontrar minha mãe no trabalho dela?

Por que comigo?

Ainda não consigo acreditar que sofri um acidente de carro. Na verdade, não quero acreditar que meu carro foi destruído em menos de cinco segundos. Não quero aceitar que um moleque recém-saído das fraldas conseguiu fazer um estrago daquele tamanho.

Às 11h50, eu estava saindo da UnB para almoçar com a minha mãe. Tinha mudado de ideia de última hora; havia comida em casa, mas queria encontrar mamis. A professora estava enrolando para terminar a aula, então resolvi me poupar do blablablá dela e ir embora logo, pra não pegar trânsito.

Caía uma chuvinha fina. “Ainda bem que saí mais cedo, dá pra ir mais devagar”, pensei. Menos de um minuto depois, meu carro estava atravessado na pista, e eu estava a um passo de entrar em choque. O garoto, um tampinha que mal tinha um metro e meio, estava saindo do estacionamento e “não me viu”. Ele entrou na lateral do meu carro, logo depois da porta do motorista. Na pista molhada, perdi o controle da direção, não consegui frear e invadi a pista no sentido contrário. Bati de frente com outro veículo. (Difícil de imaginar? Veja o esquema.)

Eu estava em baixa velocidade, não devia nem ter chegado aos 50Km/h ainda. Quando houve o impacto na lateral, sabia que tinha acontecido alguma coisa, fiquei assustada, mas não me desesperei, porque sabia que não era nada grave. O pior foi o instante seguinte. Quando vi o outro carro vindo na minha direção, pensei: “será que eu vou morrer?”. Sim, tenho a lembrança nítida na minha mente. Não teve “filminho”, só essa pergunta. Logo depois, ouvi o barulho da batida e vi o capô do meu carro levantar, e um movimento lento pra trás devido ao impacto. Agora eu tinha certeza que o estrago era grande.

Não sofri nada, o que é ótimo, mas meu carro… Nunca vi ele fora do estado perfeito em dez anos de convivência. Por mais que consertos em lataria sejam chatos e complicados, eles doem menos do que uma frente destruída. Eu fui a mais prejudicada na batida. O carro do menininho desatento só teve o farol direito quebrado e um quebradinho no para-choque; o veículo que bateu de frente com o meu teve a frente avariada.

Para piorar meu estado, o rapaz que causou tudo isso estava acompanhado de quatro pessoas. Enquanto esperávamos a Justiça Volante, ele falou que começou a dirigir há pouco tempo. Ah, pra quê?! Sentenciei o imbecil naquele momento. Garoto inexperiente dirigindo carro zero com a galera não dá boa coisa. A vontade de se exibir fala mais alto. Deu no que deu. Agora ele vai ter de bancar o prejuízo de três carros; só pra consertar o estrago feito no meu Kadett, ele vai gastar cerca de dois mil reais.

Pensei que não ia viver essa experiência tão cedo. Tomo cuidado com o carro, sou atenta no trânsito, não falo ao celular, evito levar muita gente para não me distrair… e é justamente comigo que acontece essas coisas. Claro que eu sou grata a Deus por não ter me machucado, mas dói ver o meu xodó daquele jeito. É, parece que sou mais materialista do que imaginava.

Bem, além do desabafo, queria deixar um conselho que eu recebi na época da autoescola e me foi muito útil hoje. Se vocês vierem a se envolver em algum acidente de trânsito, acionem a Justiça Volante. Salvem esse número no celular: 0800-644-2020. Procurem saber se existe esse serviço na sua cidade, poupa muita dor de cabeça e facilita os acordos. ;)

Torçam por mim para que tudo se resolva e eu possa ter meu bebê perfeito novamente – o mais rápido possível. Por enquanto, não vou colocar as fotos dos danos, estou muito fragilizada com essa situação. Talvez eu deixe para quando ele estiver consertado, fazer um “antes e depois”. Aguardem.

A primeira viagem da foca

Amanhã eu vou pra Catalão, cidade goiana a 300Km de Brasília, fazer minha primeira reportagem fora do quadradinho conhecido como Distrito Federal. Também é minha primeira viagem como foca – foca é o apelido carinhoso para jornalistas iniciantes. Vou passar um dia e meio lá: chego sexta, na hora do almoço, e volto no fim da tarde de sábado.

Essa viagem é a experiência mais (in)tensa de uma disciplina chamada Técnicas de Jornalismo. A preparação começou há um mês; os alunos pesquisaram sobre a cidade e sugeriam temas para as reportagens. Depois, foi feita a divisão por editorias (política, economia, cultura) e cada repórter começou a preparar a pauta. As últimas semanas foram de apuração: pesquisa de fontes, agendamento de entrevistas e levantamento de informações. Parece fácil, e seria se a telefonista da faculdade não boicotasse os interurbanos dizendo que “o número não existe” ou que “ninguém atende”, mas no fim das contas deu pra entrar em contato com as pessoas de lá.

Eu estou na editoria de meio ambiente, farei uma reportagem sobre a questão da conservação dos parques e reservas ecológicas de Catalão. Minha vontade era fazer uma matéria sobre orçamento participativo, pois não é um assunto conhecido pela população, ela não sabe como contribuir, como fiscalizar, etc.,  mas acabei “seduzida” pela situação ambiental de Catalão.

Uma das provas de fogo dessa viagem é conciliar o tempo às necessidades de cada pauta. No meu caso, vou entrevistar três fontes oficiais e ainda vou colher a opinião de cidadãos de Catalão. Além disso, ainda existem reuniões de pauta com a professora (que no caso é a editora-chefe) e reuniões das editorias. Para minha sorte, a editoria de meio ambiente conta com 3 repórteres, então o encontro é mais fácil e rápido.

Para quem quiser acompanhar minha viagem, é só ficar de olho no meu twitter. A saga começa amanhã bem cedo: às 6h30 vamos sair da universidade rumo a Catalão, mas antes disso eu já devo dar pelo menos uma tuitada, heh. Quem tiver perguntas/dúvidas, é só mandar uma tuitada ou deixar um comentário. Desejem-me sorte!

Um beijo e até a volta! ;D

Quer saber como foi a viagem? Confira aqui!