Reportagens de fim de ano que ninguém aguenta mais

Reportagens de fim de ano que ninguém aguenta mais
Até o gatinho tá de saco cheio...

Chega o final de ano e se repetem as reportagens relacionadas ao Natal e ano-novo. Os jornalistas já não aguentam mais fazer as mesmas matérias – e o público não aguenta mais ver/ler/ouvir a mesma coisa todo fim de ano. Listei algumas pautas surradas batidas que insistem em ocupar o precioso tempo dos telejornais:

Antes do Natal

Gente que deixa as compras de Natal pra última hora
O que fazer pra não estourar o orçamento com as compras de Natal
O amigo secreto das estrelas do canal de TV
O que fazer para não sair da dieta na época de Natal
A profissão de Papai Noel

No dia seguinte ao Natal

Troca de presentes que não agradaram, não couberam, etc.
Dieta desintoxicante ou “dicas” pra quem exagerou na ceia de Natal.

Depois do Natal e antes do ano-novo

Superstições, mandingas, simpatias, etc.
Com que roupa na virada de ano?
Mega-Sena da virada. Filas na loteria, bolão, os planos para gastar o dinheiro, etc.

Cadê a criatividade, colegas? Talvez seja a preguiça, o cansaço ou a correria das redações, mas fato é que assunto não falta. Por exemplo: judeus, muçulmanos e budistas celebram o Natal? Como é o Natal nos orfanatos?
Outra ideia é mostrar quem não celebra o Natal porque tem que trabalhar, como é o caso de médicos, enfermeiros, motoristas, funcionários de hotéis e restaurantes e – por que não? – os próprios jornalistas. A noite de Natal também é uma ótima oportunidade para fotografar ou filmar a cidade vazia.
Bem, ideias não faltam. Então, chega dessas materiazinhas de fim de ano cujo texto, se duvidar, já sabemos de cor. Vamos procurar as boas histórias, investir na novidade e na curiosidade e fugir da chatice das pautas de fim de ano. Essa deve ser a resolução de ano-novo dos jornalistas ;)

E você, qual reportagem de fim de ano você não aguenta mais? Tem uma ideia diferente? Deixe suas respostas aí nos comentários!

Até a próxima!

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Compromisso: marque-o e não apareça

Esqueceram de mim
Das coisas que me deixam furiosa: gente que marca um compromisso, simplesmente não aparece nem dá satisfação.

A pessoa me manda um email na segunda-feira, pela manhã para agendar uma reunião na manhã de quinta-feira. No mesmo dia, confirmo: ok, quinta, às 9h. Reunião marcada com três dias de antecedência, portanto.

Chega quinta-feira, vulgo hoje. Nove horas, nove e quinze, nove e meia. Ok, imprevistos acontecem, mas é questão de respeito avisar que irá se atrasar ou que não poderá comparecer. 10h e nem sinal da pessoa.
É, estava sendo otimista. A pessoa deve simplesmente ter-se esquecido da reunião.

Eu poderia reclamar o quanto essa atitude demonstra absurda falta de educação e de respeito com o outro, além de total falta de organização, mas preferi transformar este post em algo mais construtivo. Então, vejamos. Quantas pessoas você conhece que usam uma agenda? Tanto faz se é de papel ou se é digital. Ao que parece, ninguém mais usa agenda. As pessoas querem lembrar de seus compromissos pela memória, o que é um risco nos tempos atuais, com o excesso de informação e de atividades.

É trabalhoso manter-se disciplinado com a agenda, mas dá menos dor de cabeça do que a situação que descrevi no início do texto. Já se passaram mais de doze horas desde o horário combinado e até agora não recebi nenhuma ligação, nem mensagem, nem email. Sim, eu poderia ter ligado ou mandado email, mas preferi poupar a pessoa da minha estupidez. Em algum momento ela vai ter de remarcar a reunião mesmo… :) Então, fica a dica:

  • Tenha uma agenda. Mantenha-a atualizada e a consulte, no mínimo, duas vezes ao dia. Ao acordar, para saber quais são as atividades do dia, e no fim do dia, para lembrar os compromissos do dia seguinte. Eu estou sempre de olho na minha, conferindo as atividades da semana, vendo quanto tempo preciso pra resolver cada coisa, etc.
  • Tenha vergonha na cara. Vai atrasar? Ligue e avise! Isso quer dizer que, sempre que marcar compromissos, peça um telefone para contato. E informe quanto tempo vai atrasar, pois ninguém tem tempo sobrando. Na minha opinião, se você for demorar mais de meia hora para encontrar a pessoa, melhor combinar outro dia. Claro, vai depender do assunto e da importância do compromisso.
  • Peça desculpas. Se atrasou, quando chegar ao encontro, peça desculpa por deixar a pessoa esperando. Se você não compareceu, se mate desculpe-se pela mancada e recompense o outro de alguma forma. Ofereça-se para buscar a pessoa, dar carona de volta pra casa, ou simplesmente pague um café, leve um bombom no encontro seguinte. Com isso, você demonstra que sente por ter sido um idiota furado com a pessoa.
  • E que isso não se repita! Imprevistos acontecem, mas não faça disso uma rotina. Tome jeito. Em locais conhecidos, procure chegar aos compromissos com pelo menos 10 minutos de antecedência. Se você precisa procurar vaga ou se depende de transporte público, recomendo planejar chegar meia hora antes do combinado, pois o ônibus pode quebrar, ou pode não ter vaga, ou a vaga ficar longe.

Se tiver outra dica, acrescente aí nos comentários. Aproveite e me conte… já se atrasou? Já esqueceu algum compromisso?

Hoje não tem

Hoje não tem problema em hospitais da cidade,

hoje não tem gente padecendo nas filas por remédios de alto custo,

hoje não tem professor faltando nas escolas,

hoje não tem retenções no trânsito,

hoje não tem vídeo novo sobre o mensalão do DEM.

Hoje não tem jornalismo, porque é dia do casamento do príncipe William com Kate Middleton.

Voltamos amanhã com a vida programação normal.

Hashtag não faz revolução

As pessoas só sabem se mobilizar por uma hashtag,
não por uma ideia. @tatianatenuto

Depois desse tuíte, vim pro blog. Essa discussão extrapola 140 caracteres.

Nos últimos meses, tenho visto uma sucessão de hashtags que simbolizam protestos variados. #forabolsonaro, #combustivelmaisbaratoja, #julgamentomensalaoja… Hashtags que sobem para os Trending Topics, ganham seus 30 segundinhos na televisão e… ficam por isso mesmo. O Bolsonaro, assim como o Sarney, continua no Congresso. O preço do combustível já subiu meia dúzia de centavos de novo e o julgamento do mensalão continua empoeirando no Supremo.

Peças da polêmica coleção da Arezzo


Ao ler as mensagens deixadas no Twitter e no Facebook, o que a gente tira
de crítica útil é muito pouco.
Anderson Birman, Presidente da Arezzo.

No início da semana, a Arezzo lançou a coleção Pelemania, com peças feitas de pele de coelho e raposa. Muita gente xingou muito no Twitter e #Arezzo foi parar nos Trending Topics. No Facebook, a página da marca foi inundada por mensagens negativas. Resultado: a empresa lançou um comunicado em seu site oficial para esclarecer que os produtos feitos com peles foram retirados das lojas, em respeito aos consumidores contrários ao uso de peles. A frase destacada acima foi a que mais chamou minha atenção na entrevista que o presidente da Arezzo, Anderson Birman, deu ao iG Moda para explicar a situação. Foi ela que me despertou a escrever este post.

Segundo Birman, a maioria dos comentários publicados no Twitter e no Facebook é “agressão e parcialidade”. Que as mensagens sejam parciais é compreensível (e óbvio), pois as pessoas estão expondo opiniões. No entanto, as discussões não evoluem. O presidente da Arezzo levantou questões bastante relevantes, como o impacto ambiental da produção de peles naturais e sintéticas, o aproveitamento de materiais na cadeia de produção, etc. Não se viu nada disso “na mídia“, como gostam de cuspir por aí. Claro, porque rede social é aquela coisa de momento, então faz aí a notícia em cima do factual e vamos em frente.

Meu objetivo neste post não é discutir sobre consumo de peles, fazer uma análise sobre o “case Arezzo”, nem promover reflexão sobre cobertura jornalística. O que quero mostrar é como os brasileiros estão acomodados. Temos um exército de revolucionários de sofá, armados com teclados, promovendo protestinhos na internet.

Quantas hashtags saíram do mundo virtual e fizeram a diferença em alguma coisa? Como disse no início do post, Bolsonaro continua no Congresso, Sarney também, e a gasolina já está na casa dos R$ 3,00. Acontece um protesto diferente quase todo dia e as coisas continuam do mesmo jeito. Hashtags sobem e descem nos Trending Topics e a vida segue.

Casos como o da Arezzo não podem iludir. Assim como nos casos da Brastemp e da Renault, a solução foi pontual. As redes sociais são ótimas ferramentas para repercutir uma ideia, mas, para provocar uma mudança real, é preciso ir além da tela. Tem de reclamar na ouvidoria, ligar pro órgão competente, registrar protocolo de atendimento uma, duas, dez vezes, pois o Brasil só funciona na base da insistência – leia-se: encher o saco.

ALERTA: Phishing via Correios

Carta falsa enviada em nome da Receita Federal
Phishing offline?

Cuidado ao receber correspondência da Receita Federal, porque ela pode ser FALSA. Os criminosos resolveram “inovar” enviando phishing pelos Correios.

Na carta, uma suposta “intimação para regularização de dados cadastrais“, a Receita alega que a pessoa caiu na malha fina devido a inconsistências nos dados bancários.

detalhe do golpe está no site indicado para regularizar a situação. Em vez do tradicional receita.fazenda.gov.br, o endereço escrito na mensagem é totalmente estranho. Confira ao lado o facsímile da correspondência.

Não caia nessa. Na dúvida, o melhor a se fazer é ligar para a Receita Federal, o número é o 146. Também é possível verificar se há alguma irregularidade no CPF no próprio site da Receita.

Em época de declaração do Imposto de Renda, as mensagens falsas se multiplicam. Vale lembrar que JAMAIS se deve clicar em links de emails nem abrir anexos supostamente enviados pela Receita Federal ou pelo seu banco. Estamos entendidos? Então, repasse esse alerta! ;)

Update (04/03): A Receita Federal publicou comunicado hoje em seu site afirmando que “não envia cartas solicitando ou intimando os contribuintes a regularizarem dados cadastrais”. Leia a nota na íntegra.

Vontade de sumir

Passei uma semana fora para participar de um evento sobre mídias sociais em São Paulo. Nesse tempo, meus pais tiveram de arranjar um jeito de conviver. A palavra é bem essa. Meus pais não vivem juntos, um não faz questão do outro, então eles convivem (a contragosto mútuo) na mesma casa.

Quando voltei a Brasília, no sábado à noite, minha mãe me recebeu bem no aeroporto. Depois de contar dos problemas no voo de volta, perguntei: “e as coisas em casa, como estão?”. Ouvi as reclamações, que poderiam ser resumidas a “ele está insuportável”. Não estava em casa para saber, mas meu pai sabe como incomodar e irritar alguém. Em se tratando da minha mãe, essa capacidade quadruplica.

Eu não havia notado nada de diferente na expressão dela, mas no domingo reparei que alguma coisa mudou ou está mudando. Minha mãe não quis saber os detalhes da viagem, o que fiz ou deixei de fazer em São Paulo, como foi o evento. Ficou na dela. Inicialmente, isso me irritou bastante. Parecia que estava em casa com uma completa estranha. Estranha e mal-humorada. Por diversas vezes perguntei o que estava acontecendo. “Estou de saco cheio, já não aguento mais”, respondia, irritada e de cara amarrada. Só que ela não me dava detalhes.

Minha irritação com essa situação agora se mistura à tristeza. Voltei de viagem e ainda não encontrei a mãe amiga que me deixou no aeroporto chorando porque ia ficar com saudades da filha. Encontrei uma mulher ausente e amargurada que não quer conversa e fica o tempo todo com fones de ouvido. O presente que trouxe de São Paulo para ela foi deixado de lado.

Algumas semanas antes da viagem, descobri que minha mãe havia voltado a fazer terapia. Sinal amarelo. A depressão pode estar voltando. Depois da semana que passei fora, acho que a doença já voltou, mas diferente. Em vez da tristeza, o mau humor. O comportamento de “que se dane, não estou nem aí pra nada” é evidente.

Minha vontade é sumir. Nunca tive uma situação familiar estável. Pais que se odeiam, um cara que acha que manda na casa, uma mulher que simplesmente ignora tudo, uma casa que reflete o descaso. E eu. Sem privacidade, sem espaço, cansada de sempre estar no meio do conflito.

Não vejo luz no fim do túnel. Na verdade, nem fim vejo nesse túnel. Não sei como essa situação vai terminar e isso me dá medo. Não quero resolver nada, não quero desfazer minha mala. Eu quero fugir. Minha vontade é sumir.

A falta de educação dos passageiros de avião

Atenção, senhores passageiros do voo 1699 com destino a Brasília e conexões. Informamos que o embarque será iniciado em breve pelo portão de número 4. Pedimos a gentileza de formar duas filas. Na fila da esquerda, passageiros das poltronas de 16 a 32; à direita, passageiros dos assentos de 1 a 15.

Seria um embarque tranquilo e organizado (algo raro no Brasil), não fosse a praga do famoso “jeitinho brasileiro“. O nome disso é falta de educação, caso você não saiba. Querer dar uma de esperto/a, começar uma fila em frente ao portão antes de chamarem pro embarque pelo alto-falante, ir pra fila que será chamada primeiro só pra entrar antes, etc. Tudo isso só serve pra duas coisas: mostrar o quanto o seu cérebro é atrofiado pequeno e irritar gente educada.

Passageira do 8C, fiquei à direita e esperei que a fila do 16-32 terminasse para eu entrar no avião. Esperei. Esperei. E… comecei a ficar irritada. Uma senhora ao meu lado comentou: “ué, mas tem gente do lado de cá indo pro lado de lá…”. PORRA, BRASIL, assento marcado pra quê, né? Se era pra isso, por que não formou logo uma fila única?!

Recorrer ao funcionário da empresa aérea só serve pra te tirar definitivamente do sério. Ele não está nem aí pra organização da fila, não se dá ao trabalho de conferir o número do assento no cartão do embarque – duvido muito que eles sequer confiram o nome do passageiro -, imagina então exigir que ele se preocupe em sacanear punir os mal-educados.

Eu sou bem intolerante com gente que tenta fazer os outros de otários. Tá, pra ficar bem claro, sou grossa, estúpida, uma égua. Não sei lidar com situações de falta de respeito escancaradas como essa. Por que a pressa? Tá com caganeira?! Com certeza, não. Medo de overbooking? É o menor dos problemas.

Minha hipótese é a questão de bagageiro. Acredito que há espaço para todos desde que respeitada a norma de peso e medida. Acontece que tem pessoa que viaja com duas, às vezes três bolsas/malas/sacolas, e um compartimento que deveria armazenar a bagagem de três passageiros é tomado pelas tralhas de um só. Outra situação é a mala ser enorme e ocupar espaço demais.

Esse é apenas um pouco da falta de educação do brasileiro. E os celulares ligados durante o voo? E a dificuldade que as pessoas têm de manter a poltrona na posição vertical na decolagem e aterrisagem? E a dificuldade maior ainda de ficar com o cinto afivelado enquanto estiver sentado?  Aí, rola uma turbulência e a pessoa é jogada contra o teto do avião e depois vai querer processar a companhia aérea. Fez por onde, bem feito!

Voltando às filas de embarque, a tal da “preferência” também é teste de nervos pra muita gente. Sempre aparece uma mãe com seu filho pentelho de 7 anos querendo entrar primeiro. Preferência devia ser apenas para gente idosa; deficientes físicos ou pessoas com dificuldade de locomoção; crianças desacompanhadas (que são como cachorro sem coleira, somem rapidinho) e mães com bebês de colo. Criança de 7 anos não é bebê, então, mães, parem de colocar moleque crescido no colo!

Infelizmente, o Brasil está bem longe do aceitável. Faltam infraestrutura e profissionais. Os aeroportos (e as empresas aéreas) não conseguem absorver o aumento de demanda provocado pelo barateamento das passagens. Só que de nada vai adiantar aeroporto novo (ou com reforma eficiente) se os brasileiros continuarem mal-educados, sempre tentando “dar um jeitinho” pra se dar melhor e passar por cima (ou na frente) dos outros. Se não sabe respeitar, não faz checkin.

Obs.: A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), quando ainda era Departamento de Aviação Civil (DAC), publicou a portaria 676/GC-5, de 13 de novembro de 2000, que regulamenta as condições gerais de transporte. Existe uma seção específica sobre bagagem de mão, mas assim como outras normas, sem fiscalização ela não pega.